quinta-feira, 30 de maio de 2019


Vitórias Militares Africanas Contra as Invasões Estrangeiras


No início dos anos 2000 fiz amizade com a Elizângela André dos Santos no Projeto Travessia na cidade de São Paulo. Nosso trabalho era com crianças e adolescentes em situação de rua e de risco na cidade e não é novidade para ninguém que a maioria dessa população é preta...
Numa das reuniões Eliz perguntou para mim: "porque nós nos deixamos escravizar"? Questionamento potente que mesmo estudando desde 1989 o tema não soube explicar de pronto. Mas na minha cabeça a questão ecoava pelos anos a fio. Os nossos antepassados lutaram sim na África, nos navios tumbeiros e na América! Os exemplos são inúmeros.
Aprendi com o tempo que os africanos lutaram e venceram grandes batalhas mas não aprendemos sobre este conhecimento importante nos bancos escolares.

O tópico da história militar africana é um dos tópicos mais inexplorados em nossos livros de história hoje. Talvez seja assumido que já conhecemos a história completa. Infelizmente, isso não poderia estar mais longe da verdade. Um velho provérbio africano tinha razão o tempo todo.
"Até que os leões tenham seus próprios historiadores, os contos da caça sempre glorificarão o Caçador."
Provérbio africano




O leão contará sua história com uma lista dos 10 melhores, enquanto discutimos as vitórias militares negligenciadas dos reinos e impérios africanos contra invasores asiáticos e europeus. A lista de vitórias militares de africanos contra a invasão estrangeira é como segue:

10. Ashanti x Grâ-Bretanha
9. Ajuran x Portugal
8. Kemet x Hicsos
7. Congo x Portugal
6. Zulu x Grã-Bretanha
5. Rozvi x Portugal
4. Mali x Portugal
3. Cuxe x Pérsia
2. Macúria x Arábia
1. Etiópia x Itália




Ashanti vs Grã-Bretanha


Para o número 10, pensei em começar devagar com uma vitória simbólica. As vitórias simbólicas são subvalorizadas, por vezes, no que se refere à história mundial, mas ainda é digno de nota.
A Guerra do Banco Dourado de 1900 foi provavelmente a maior vitória simbólica da história da África Ocidental. Mesmo que os Ashantis tenham perdido sua soberania nas batalhas de ida e volta das guerras anglo-ashanti, os britânicos ainda se esforçavam para ganhar uma fortaleza sobre os ashantis exigindo que um europeu possuísse o trono de ouro dos ashantis.
Um trono em que nem o rei ashanti se senta. O Trono de Ouro era a personificação viva do estado Ashanti e o próprio símbolo dos povos Ashanti. Esta foi a pior ofensa possível que alguém pode cometer contra os Ashanti.
Imediatamente Yaa Asantawaa (1840-1921), a rainha-mãe dos Ashanti, no século 19, reuniu as tropas com o único propósito de proteger o trono de ouro. Muitas causalidades ocorreram em ambos os lados, mas os Ashanti foram bem-sucedidos em seu objetivo anterior à guerra de proteger o Banco Dourado, a encarnação viva do orgulho africano.
Os britânicos nunca conseguiram aquele banco enquanto os ashantis mantinham a integridade essencial de seu sistema sócio-político.



Sultanato de Ajuran vs Portugal


Chegando no número 9, temos o Império Ajuran. Isso pode surpreender alguns de vocês como no topo da lista, já que o significado de sua excepcional capacidade naval não pode ser negado.
Os somalis foi um dos poucos africanos a realmente fazê-lo. Embora os portugueses tenham tomado com sucesso a cidade de Barawa na Somália, as forças somalis continuaram a lutar implacavelmente e os portugueses não conseguiram sequer ocupá-la.
Os portugueses tentaram novamente flexionar seus músculos navegando e tomando a cidade de Mogadíscio, que era uma das cidades mais ricas da África na época. Seguiu-se uma batalha naval e uma aliança somali-otomana conseguiu expulsar os portugueses das principais cidades da costa africana.
As guerras ajuran-portuguesas (1538-1537 e 1580-1589) foram uma das primeiras batalhas navais entre uma força africana e o poder europeu, e a perspicácia política, juntamente com a proeza naval, levaram o somali à vitória.



Kemet vs Hicsos


Para o número 8 temos o Novo Reino do Kemet. Os keméticos provavelmente tinham os militares mais fracos de toda a história africana. Parecia que todos que pensavam em conquistar Kemet o faziam.
Os hicsos, assírios, persas, gregos, romanos e a lista simplesmente continuam, mas é claro que às vezes os keméticos tinham sua glória. Sua vitória mais gloriosa tinha que ser contra os hicsos. Estranhamente, os hicsos eram militarmente superiores aos keméticos em quase todos os sentidos.
Eles empregavam carros puxados por cavalos que lhes davam maior mobilidade do que a infantaria do Vale do Nilo. Ao contrário da crença popular, os cavalos eram de uso raro entre os keméticos militarmente durante esse tempo.
Além disso, os capacetes de bronze, armaduras e armas dos hicsos davam-lhes uma clara vantagem sobre os keméticos, armas de cobre mais macias e infantaria quase nua; protegido por escudos de couro.
Os hicsos governaram o norte de Kemet (conhecido como Baixo Egito) por cerca de um século até que o faraó Ahomse I da 18ª Dinastia (c.1549–1524 a.C.) completou a reconquista do norte e finalmente expulsou os hicsos, provocando uma revolução militar em Kemet e a era mais popular da história deste povo, o Novo Reino.
A reconquista do seu país dos hicsos foi uma das vitórias mais cruciais que poderiam ter conseguido militarmente.





Congo vs Portugal


Para o número 7, temos o Império do Congo. Não há dúvida de que o Congo caiu devido a distúrbios civis. A culpa recai nos ombros do Manicongo; os reis do Congo. Os manicongo eram absolutamente obcecados pelos bens e serviços dos portugueses, mesmo em detrimento do seu próprio povo.
No entanto, uma das primeiras vezes em que os portugueses tentaram atravessar o Congo militarmente terminou em completo abate. Portugal alinhou-se recentemente com os Imbangalas, um exército africano cruel da região. Eles eram basicamente os zulus da área.
Portugal conquistou um território em Angola na Batalha de Mbumbi, matando o governante de Mbumbi e escravizando parte da população que os enviou para o Brasil. O único problema, no entanto, era que Mbumbi era um território do Império Congo. Talvez uma falta de comunicação na parte de Portugal.
O rei Nkanga Mvika do Congo foi absolutamente aquecido por este ato. Assim, ele se levantou, declarou guerra aos portugueses de Angola e trouxe o principal exército do Congo para reconquistar o território e expulsar os portugueses. O exército do Congo encontrou os portugueses na Batalha de Mbandi Kasi (1622 e 1623).
Lá, é relatado que o exército do Congo destruiu os portugueses e forçou-os completamente. Aparentemente, o rei Nkanga ficou tão aborrecido que desarmou os portugueses e até forçou-os a desistir de suas roupas.
No rescaldo de guerra cerca de mil congoleses escravizados foram trazidos de volta do Brasil devido a vitória e protesto impecável do rei Nkanga. O rei Nkanga estava prestes a fazer uma aliança com os holandeses para expulsar os portugueses, mas ele morreu antes deste decreto e seu filho, infelizmente, rejeitou a aliança.



Zulu vs Grã-Bretanha


Em seguida, no número 6, temos o Zulu. Agora, a maioria das pessoas sabe sobre a interação entre os zulus e os britânicos. Bem, essa batalha em particular foi importante porque literalmente imortalizou os zulus na história mundial.
A interação zulu com os britânicos na Batalha de Isandlwana, sozinho, fez do Zulus o grupo mais popular de africanos abaixo do Saara. Sabe-se que os zulus infligiram aos britânicos sua pior derrota contra uma força africana.
A derrota devastadora dos britânicos em Isandlwana forçou os britânicos a levar os zulus muito a sério e ironicamente apressou o fim do Reino Zulu, mas a Batalha de Isandlwana foi a primeira tentativa britânica de conquistar o Reino Zulu.
Os britânicos queriam guerra e exigiram o rei zulu na época, sabendo que ele não poderia aceitar e então a batalha começou. Os príncipes zulus do campo de batalha tinham taticamente superado os britânicos em quase todos os aspectos imagináveis, o que levou a uma decisiva vitória zulu, solidificando o orgulho zulu e gravando a memória do poder desse reino por toda a humanidade.
A vitória zulu na Batalha de Isandlwana foi literalmente a vitória africana ouvida em todo o mundo.


Rozvi vs Portugal


Chegando no número 5, temos o Império Rozvi (1684–1889). O Império Rozvi não jogou absolutamente nenhum jogo. Quando o Império Mutapa começou a declinar, os portugueses começaram a dominar a região a sul do rio Zambeze, atual Zimbábue.
Devido à fracassada interação social e política entre Mutapa e Portugal, que resultou em guerras civis, muitos exércitos independentes começaram a surgir. O mais dominante desses exércitos era o Rozvi, conhecido literalmente como os destruidores. Seu líder veio a ser conhecido como Changamire Dombo. Há rumores de que ele usou a formação de chifre de touro, mesmo antes de Shaka Zulu.
Isso na verdade pode ser crível porque o que ele fez com Mutapa e os portugueses é nada menos que a dominação total. A glória militar do Rozvi é algo especial. Eles não apenas tiveram que lutar contra os portugueses, mas também tiveram que lutar contra Mutapa; Mutapa, claro, sendo apoiado por Portugal.
O primeiro encontro de Changamire com os portugueses foi na Batalha de Maungwe em 1695. Os Rozvi, mesmo sem armas de fogo, ainda conseguiram derrotar os portugueses. Depois desta vitória, o Rozvi teve que passar por Mutapa e levou o dia mais uma vez em total vitória.
Daquele ponto em diante, Changamire Dombo conduziu uma guerra incessante contra os portugueses e seus aliados africanos, dominando-os completamente a todo momento, contaminando suas igrejas e até mesmo desenterrando suas sepulturas.
O domínio dos Rozvi sobre a presença portuguesa na região forçou os portugueses a deixar o Planalto do Zimbábue completamente.
Apesar da desvantagem tecnológica, a superioridade tática dos Changamires em relação aos portugueses é um dos tópicos menos discutidos entre os africanos e os invasores estrangeiros.



Mali vs Portugal


Chegando no número 4, temos o Império do Mali. O Império do Mali foi, sem dúvida, a força militar mais poderosa da África Ocidental no século 15. Infelizmente os portugueses descobriram isso da maneira mais difícil.
Até agora você deve ter percebido que muitas nações africanas expulsaram completamente os portugueses de sua região. Este foi em grande parte o caso porque os portugueses vieram para a África Ocidental e Central durante um período em que muitos dos impérios africanos estavam no auge.
De qualquer forma, foi durante o governo de Mansa Ouali Keita II que o Mali fez o seu primeiro contato com Portugal. Na década de 1450, Portugal começou a enviar grupos de trabalhadores forçados ao longo da costa da Gâmbia. O estado vassalo do Mali na Gâmbia foi pego de surpresa por ambos os navios portugueses e provavelmente pelo fato de nunca terem visto pessoas brancas antes.
Independentemente disso, a Gâmbia era um vassalo leal do Mali e ainda sob seu controle. Estas expedições portuguesas foram recebidas com destinos desastrosos. Muitas pessoas acreditam que os somalis foram os primeiros a participar de uma batalha naval bem-sucedida com um poder europeu, mas isso é realmente falso. Foi o Império do Mali, com a Cavalaria Mandekalu, que primeiro enfrentou uma força européia em uma batalha naval, e eles fizeram isso quase um século antes. O Império do Mali rebateu os ataques portugueses com barcos de calado raso, interceptando com sucesso barcos compridos portugueses.

A primeira ameaça desconhecida para o Mali não veio das selvas ou mesmo do deserto, mas do mar. Os portugueses chegaram à costa senegambiana em 1444, e não estavam vindo em paz. Usando caravelas para lançar ataques de escravos em habitantes costeiros, os territórios vassalos do Mali foram pegos de surpresa por ambos os navios e as peles brancas dentro deles. No entanto, o Império do Mali rebateu os ataques portugueses com embarcações rasas. Os cavaleiros Mandekalu infligiram uma série de derrotas contra os portugueses devido ao uso perito de flechas envenenadas. As derrotas obrigaram o rei de Portugal a despachar seu cortesão Diogo Gomes em 1456 para garantir a paz. O esforço foi um sucesso em 1462 e o comércio pacífico tornou-se o foco de Portugal ao longo da Senegâmbia.


Cuxe vs Pérsia


Quebrando o nosso top 3, temos Cuxe (c.  785 a.C.  -  c.  350 d.C.). A antiga Cuxe era a força militar defensiva mais poderosa da história da África antiga. Cuxe nunca foi conquistada por não-africanos e não é como se alguns não tentassem.
Os persas sob Cambises II conquistaram Kemet na Batalha de Pelusium em 525 a.C. Os soldados persas usavam os gatos como escudos porque sabiam que a religião do Kemet proibia os danos aos gatos. Como a Pérsia, como quase todas as outras nações, conquistou Kemet tão facilmente, eles acharam que Cuxe seria o mesmo.
Eles não poderiam estar mais errados. Segundo Heródoto, o historiador e geógrafo grego, Cambises queria conquistar Cuxe. Ele enviou "espiões" ao faraó de Cuxe, disfarçados de mensageiros portadores de presentes.
Era óbvio para o rei cuchita que os persas eram espiões, de modo que o rei Cuxita zombou dos presentes de Cambises diante dos mensageiros e provocou Cambises a marchar sobre Cuxe. É claro que o rei persa ficou furioso e, em resposta, liderou um enorme exército para Cuxe.
Dificuldades logísticas em cruzar terrenos desérticos junto com a resposta feroz dos Cuxitas não eram algo que os persas poderiam superar.
Em particular, disparos precisos de arco e flecha não só demoliram as fileiras persas, como também direcionaram os olhos dos guerreiros persas individuais. Essa precisão não era vista no mundo antigo. Uma fonte histórica observa:
Assim, das muralhas como nas muralhas de uma cidadela, os arqueiros mantinham uma descarga contínua de flechas bem dirigidas, tão densas que os persas tinham a sensação de uma nuvem descendo sobre eles, especialmente quando os cuxitas faziam seus inimigos. ; olha os alvos. Tão infalível era seu objetivo que aqueles que eles perfuraram com suas flechas correram loucamente nas multidões com as flechas projetando-se de seus olhos como flautas duplas. ”
Jimm Hamm



Macúria vs Arábia


Chegando no número 2, temos o Reino de Macúria (Século 5 - final do século 15/16 d.C.). Não há absolutamente nenhuma dúvida sobre isso. A razão pela qual o Islã foi repelido inicialmente na Núbia foi que eles foram profundamente derrotados pelo reino núbio de Macúria.
Foi só mais tarde que os núbios abraçaram o Islã e começaram a se casar com os árabes. Os árabes tinham tomado o norte da África e eles pareciam invencíveis, mas na batalha de Dongola em 642, eles foram parados com força total pelos núbios.
Por quase 600 anos, os poderosos arqueiros da região criaram uma espécie de barreira para a expansão muçulmana no nordeste do continente africano, combatendo múltiplas invasões e assaltos com dizimadores enxames de flechas.
Um historiador moderno comparou a resistência núbia à de uma represa, retendo a maré muçulmana por vários séculos.
"A evidência absolutamente inequívoca e o acordo unânime das primeiras fontes muçulmanas é que a parada abrupta dos árabes foi causada única e exclusivamente pela soberba resistência militar dos núbios cristãos."
Israel Gershoni

Em 642, os árabes enviaram dezenas de milhares de cavaleiros contra Macúria. Eles conseguiram chegar até a capital de Macúria. No entanto, as forças árabes foram espancadas. Os árabes descobriram que os núbios lutaram fortemente e os enfrentaram com chuvas de flechas.
Na Batalha de Dongola, foi relatado que a maioria das forças árabes voltou com os olhos feridos e cegos. Foi nessa lendária batalha que os núbios foram chamados de "os feridores dos alunos".
“Um dia eles saíram contra nós e formaram uma linha; queríamos usar espadas, mas não conseguíamos, e atiraram em nós e colocaram os olhos no número de cento e cinquenta.
Al-Baladhuri

As batalhas em Dongola abalaram tanto a confiança dos árabes que se retiraram completamente da Núbia.




Etiópia vs Itália


E finalmente, no número 1, temos o Império Etíope (1270-1974). A Batalha de Adua (1º de março de 1896) foi a mais significativa vitória do povo africano contra a invasão estrangeira.
A vitória das etíopes sobre os italianos foi significativa, especialmente porque todo o continente estava sendo engolido pelo imperialismo europeu na época. A Etiópia foi a única região que parou este movimento no seu território.
A Itália havia adquirido a Eritréia e partes da Somália moderna e procurou melhorar sua posição na África. O rei Menelik II da Etiópia garantiu que a Itália não conseguiria o que queria e ele se preparou para a batalha.
Fontes nos dizem que o exército italiano foi completamente aniquilado enquanto o de  Menelik II estavam completamente intactos, já que os etíopes ganharam milhares de fuzis e muitos equipamentos dos fugitivos italianos.
Os italianos se retiraram para a Eritreia, enquanto cerca de 3 mil prisioneiros foram levados. A Batalha de Adua foi uma derrota decisiva para a Itália, assegurando a soberania etíope. O historiador etíope Bahru Zewde observou:
“Poucos eventos no período moderno trouxeram a Etiópia à atenção do mundo, assim como a vitória em Adua.”
Bahru Zewde

Aqui na América, Molefe Kete Asante, resumiu bem a vitória de Adua:
“Após a vitória sobre a Itália em 1896, a Etiópia adquiriu uma importância especial aos olhos dos africanos como o único estado africano sobrevivente. Depois de Adowa, a Etiópia tornou-se emblemática do valor e resistência africanos, o bastião de prestígio e esperança para milhares de africanos que vivenciavam o choque da conquista europeia e estavam começando a buscar uma resposta para o mito da inferioridade africana ”.
Molefe Asante

Quando se trata de história africana, é importante entendermos toda a história e não apenas o que é anunciado pela cultura eurocêntrica.




Fontes


Por: Timothy Stapleton

Por: Heródoto

terça-feira, 7 de maio de 2019

9 ações devastadoras que os escravocratas brancos usaram para forçar as pessoas negras ao cristianismo






1. A promessa do céu

Escravidão e cristianismo - O aspecto mais importante do cristianismo para os escravizados foi a promessa do céu - uma promessa feita pelos proprietários de plantações. Esta ideia pregou a noção de que, para todo o sofrimento que é feito no mundo físico, sua alma será preservada e você experimentará uma vida espiritual livre de dificuldades, de acordo com a Slave Resistance, A Caribbean Study, da Universidade de Miami. O que isso fez para os negros escravizados foi dar-lhes esperança para o futuro. A crença do povo convertido no céu permitiu que alguns resistissem passivamente a seus donos de plantações e se concentrassem na vida após a morte. Com essa crença, todas as surras e chicotadas não significavam nada, porque no céu a pessoa escravizada seria recompensada e o mestre seria punido.



2. Trabalho Constante

O vigoroso e constante trabalho de plantação atribuído pelos proprietários deixava o povo cativo praticamente sem tempo para si, e isso incluía atividades religiosas, de acordo com christianitytoday.com. Alguns donos de plantações exigiam que os escravizados trabalhassem até no domingo, um movimento intencional para afastá-los de seu regime religioso e suavizá-los ao longo do tempo para aceitar qualquer religião que lhes fosse apresentada pelos proprietários das plantações.



3. Comunicação bloqueada

Proprietários de fazendas separaram seres humanos criminalmente escravizados que falavam a mesma língua africana, de modo que não podiam adorar juntos e poderiam aprender cristianismo ao mesmo tempo, de acordo com um artigo intitulado O Inconcebível Estado do Cristianismo Afro-americano em christianitytoday.com.


4. Famílias Separadas

Separar os membros da famílias quebrou o espírito dos escravizados, suas crenças e união, de acordo com a academia.edu em um estudo sobre o papel da religião na África. Com suas unidades familiares quebradas, suas crenças africanas também foram quebradas, tornando-as mais dispostas a aceitar outra religião.




5. Demonstração de poder

Quando os africanos foram capturados e trazidos para a América pelos brancos europeus, eles frequentemente atribuíram o poder dos europeus ao poder do deus dos brancos. Portanto, era muito fácil para alguns africanos escravizados começarem a adorar o deus cristão vitorioso no lugar de seus próprios deuses.



6. Conversões Católicas

Muitas vezes, as práticas africanas foram trazidas para o cristianismo de maneiras novas e interessantes, como uma forma de atrair os africanos escravizados para o cristianismo e para longe de sua religião, de acordo com um artigo no Mariners Museum chamado Captive Passage. Os africanos escravizados nas nações católicas romanas muitas vezes se converteram facilmente devido à capacidade do catolicismo de acomodar e absorver outras crenças.



7. Mistura de Práticas Religiosas

Símbolos e objetos, como cruzes, foram confundidos com encantos carregados pelos africanos para afastar os maus espíritos. Cristo foi interpretado como um curador similar aos sacerdotes da África, segundo a Slavery and the Making of America, da PBS. No Novo Mundo, as fusões da espiritualidade africana e do cristianismo levaram a novas práticas distintas entre as populações escravizadas, incluindo vodu ou vodun no Haiti e na Louisiana espanhola. Embora as influências religiosas africanas também fossem importantes entre os negros do norte, a exposição às religiões do Velho Mundo era mais intensa no Sul, onde a densidade da população negra era maior.



8.Trabalho Missionário nas Índias Ocidentais

Missionários - dos Morávios, Batistas e Metodistas - todos envolvidos no processo de cristianização nas Índias Ocidentais, de acordo com um artigo de Jeffrey K. Padgett intitulado A Cristianização dos Escravos nas Índias Ocidentais. Em meados do século XVIII, as capelas e casas missionárias da Morávia estavam em áreas populosas de muitas das ilhas controladas pelos britânicos. Os missionários argumentaram aos plantadores que os escravizados precisavam de religião e que os fazendeiros também se beneficiariam da conversão.



9. Controle social

Nas colônias caribenhas de Cuba e Saint-Domingue (atual Haiti), a religião era ensinada aos africanos escravizados como um meio de controle social mais do que como um meio para edificar suas almas, de acordo com um artigo intitulado Religião Escrava na América Central e do Sul. Especialmente nos primeiros dias das colônias, enquanto as plantações eram pequenas e a população escravizada não era grande, os proprietários de plantações usavam a religião para ensinar obediência. Em Cuba e no Brasil, os santos católicos eram muitas vezes equiparados a deuses da África - gerando familiaridade para os escravizados.




quarta-feira, 1 de maio de 2019

Mais um grupo formado em História da Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente! 

Turma 2019. Agradeço aos ancestrais e às forças da natureza!
Gratidão Ação Educativa e todxs os envolvidos!


Até breve!


quarta-feira, 24 de abril de 2019

População Preta na América



Quantos somos e aonde estamos no continente americano?
De acordo com a Organização das Nações Unidas somos mais de 200 milhões de pessoas no continente que tem uma população de 1 bilhão de habitantes. 
Africano-americano (também referidos como americanos negros ou afro-americanos ) são um grupo étnico de americanos com ascendência total ou parcial de qualquer um dos grupos raciais pretos da África. O termo normalmente se refere a descendentes de africanos escravizados que são dos Estados Unidos.

Os negros constituem o maior grupo étnico do Brasil, de acordo com o IBGE, e o terceiro maior grupo racial e étnico nos Estados Unidos (depois dos americanos brancos e hispânicos e latino-americanos). A maioria dos afro-americanos é descendente de povos escravizados dentro dos limites dos atuais Estados Unidos. Em média, os afro-americanos são descendentes de africanos ocidentais, centrais e orientais, europeus e indígenas (originários). De acordo com dados do US Census Bureau, imigrantes africanos geralmente não se identificam como afro-americanos. A imensa maioria dos imigrantes africanos se identifica com suas respectivas etnias (~ 95%). Imigrantes de algumas nações do Caribe, América Central e América do Sul e seus descendentes podem ou não se identificar com o termo.
A população preta está aqui há mais de 12 mil anos como comprova o crânio de Luzia encontrado em Lagoa Santa, Minas Gerais. A segunda onda migratória chega como trabalhadora forçada (Maafa) por intermédio dos brancos espanhóis a partir de 1501.
Muitos outros milhões vivem em outras partes do mundo, fora do continente africano. A União Africana (UA) define a diáspora africana como consistindo em: "de pessoas de origem africana nativa vivendo fora do continente, independentemente de sua cidadania e nacionalidade e que estejam dispostas a contribuir para o desenvolvimento do continente e para a construção de um país." União Africana ". O seu ato constitutivo declara que “convidará e encorajará a plena participação da diáspora africana como uma parte importante do nosso continente, na construção da União Africana. A União Africana considera a diáspora como a 6ª região (1º África do Norte, 2ª África Ocidental, 3ª África Central, 4ª África Meridional e 5ª África Oriental).
Estamos distribuídos nos 35 países do continente em maior ou menor número.
Informações que faltam no mapa:
Canadá: 3,5%
Estados Unidos: 14,1%

Maiores populações da diáspora africana por país:
1. Brasil 
2. Estados Unidos
3. Haiti 
4. República Dominicana
5. Colômbia 
6. Jamaica
7. México 
8. Cuba 
9. Porto Rico 
10. Peru 
11. Canadá
12. Equador 
13. Trinidad e Tobago

domingo, 21 de abril de 2019

7 meios de fugir da lavagem cerebral e das pautas da branquitude

Por Carlos Machado

1. Forneça imagens, símbolos, referências e narrativas positivas de pretos para as nossas crianças crescerem com um contraponto sólido ao que encontrará ao longo de sua vida.

2. Fortaleça mercados que te fortalecem! Compre de pretos! Empregue pretos! Apenas instituições pretas podem servir ao povo preto!

3. Fuja da televisão e outros mecanismos de propaganda da supremacia branca.

4. Estude história! Não se permita repetir erros já cometidos, conheça quem são eles, quem você é, onde você está, de onde veio e , a partir daí, saberá para onde ir.

5. Fuja dos estereótipos! Fuja da futilidade! Fuja do auto-ódio! Fuja da violência entre pretos!

6. Eduque-se em todos os sentidos!

7. Não tenha medo, se apodere do que é seu! A cultura preta africana é SUA! Diferente do que dizem. nossa cultura e religiosidade não é inferior, não é demoníaca, não é primitiva. É só PRETA! Tudo o que remete à África é visto por esses racistas como algo isento de qualidades, não se contamine e não se prive de se apoderar do que é seu!


Começa a série Civilizações Africanas!


São 186 reinos em mais de 5 mil anos de história!
São reinos, impérios e cidades-estado nunca mostrados no Facebook ou outra rede social.
Tiveram racistas que afirmaram que não houve civilização no continente africano e aqui está a nossa resposta!


Apresento KMT ou Kemet, a 1ª civilização da África. Ela é mais conhecido como Egito mas esse nome é grego. O nome original é Kemet e significa Terra Preta e Povo Preto (c. 3100 a.C. - 30 a.C.).
Esse povo negro do nordeste africano habitante do vale do rio Nilo deixaram mostras da sua coloração da pele. Pela sua importância e influência, os euros quiseram dissociar esta civilização do povo preto africano, dizendo que eles eram "brancos" ou "extraterrestres" e isso é visível nos livros, filmes europeus, estadunidenses e minisséries brasileiras que passam na África...

As muitas realizações dos antigos keméticos incluem o desenvolvimento de técnicas de extração mineira, topografia e construção civil que permitiram a edificação da primeira estrada, monumentais pirâmides, templos e obeliscos; um sistema de matemática, um sistema prático e eficaz de medicina, sistemas de irrigação e técnicas de produção agrícola e pecuária, os primeiros navios conhecidos, faiança e tecnologia com vidro, literatura e o mais antigo tratado de paz conhecido, o chamado Tratado de Kadesh. Kemet deixou um legado duradouro na ciência, tecnologia e inovação. Sua arte, arquitetura, sistema político e crenças foram amplamente copiadas e suas antiguidades levadas para os mais diversos cantos do mundo. Suas ruínas monumentais inspiraram a imaginação dos viajantes e escritores ao longo dos milênios.
A curiosidade pelas suas antiguidades e escavações no início do período moderno por europeus e egípcios levou à investigação científica da civilização kemética, chamada de egiptologia, e uma maior apreciação do seu legado cultural reclamado pelo povo negro no mundo.
Tenha orgulho das suas raízes pretas!
Extensão máxima do império kemético

 Kemet era uma civilização da antiga África do Norte, concentrada ao longo do curso inferior do rio Nilo, no lugar que hoje é o Egito. A civilização kemética antiga seguiu o Kemet pré-histórico e se uniu por volta de 3100 aC (de acordo com a cronologia convencional ) com a unificação política do Alto e do Baixo Egito sob Menes (freqüentemente identificada com Narmer ). A história de Kemet correu como uma série de reinos estáveis, separados por períodos de relativa instabilidade conhecidos como Períodos Intermediários: o Antigo Reino da Idade do Bronze, o Reino Médio da Idade do Bronze Médio e o Novo Reino da Idade do Bronze Final.

Kemet atingiu o ápice de seu poder no Novo Reino, governando grande parte da Núbia e uma porção considerável do Oriente Próximo, após o que entrou em um período de lento declínio. Durante o curso de sua história, Kemet foi invadido ou conquistado por um número de potências estrangeiras, incluindo os hicsos , os líbios , os núbios , os assírios , os persas aquemênidas e os macedônios, sob o comando de Alexandre, o Grande. O reino ptolemaico grego, formado após a morte de Alexandre, governou o Egito até 30 aC, quando, sob Cleópatra caiu. Império Romano e se tornou uma província romana.

O sucesso da antiga civilização kemetica veio em parte de sua capacidade de se adaptar às condições do vale do rio Nilo para a agricultura. A inundação previsível e a irrigação controlada do vale fértil produziram excedentes, o que sustentou uma população mais densa, o desenvolvimento social e a cultura. Com recursos de sobra, a administração patrocinou a exploração mineral do vale e das regiões desérticas ao redor, o desenvolvimento inicial de um sistema de escrita independente , a organização de projetos de construção coletiva e agrícola, o comércio com as regiões vizinhas e um exército militar destinado a afirmar o domínio. A motivação e organização dessas atividades era uma burocracia de escribas de elite, líderes religiosos e administradores sob o controle de um faraó (Nisut Bity), que assegurava a cooperação e a unidade do povo kemético no contexto de um elaborado sistema de crenças religiosas. 
Foi uma civilização fascinante!


Khepresh a coroa de guerra de Kemet a 1ª civilização africana.

Ela remete a um penteado comum no nordeste africano que só pode ser feita num cabelo crespo!
Reflete o desenvolvimento da química (que vem de KMT) estética, design e governança dessa fabulosa civilização preta!




Observe as esculturas e as imagens de africanos modernos. Tire suas conclusões.Imagem feita porDeidra Ramsey McIntyre e Nubio Masóxi Ngola.


Um dos antigos nomes keméticos para o país, Kemet (kṃt), ou "terra negra" (de kem, "negro"), advém do solo fértil negro depositado pelas cheias do Nilo, distinto da "terra vermelha" (dechret, dšṛt) do deserto. O nome passou às formas kīmi e kīmə na fase copta da língua egípcia e aparece no grego primitivo como Χημία (Khēmía). Outro nome era t3-mry ("terra da ribeira"). Os nomes do Alto e do Baixo Egito eram Ta-Sheme'aw (t3-šmˁw), "terra da junça", e Ta-Mehew (t3 mḥw) "terra do norte", respectivamente. Miṣr, o nome árabe moderno e oficial para o país, é de origem semita, diretamente relacionado com outros termos semíticos para o Egito, como o hebraico מִצְרַיִם (Mizraim), literalmente "os dois estreitos" (referência ao Alto e Baixo Egitos).

O termo português "Egito" deriva do grego antigo Αίγυπτος (Aígyptos), por meio do latim Aegyptus, e já era registado no vernáculo no século XIII. A forma grega, por sua vez, advém do kemético Ha-K-Phtah, "morada de Ptá", denominação de Mênfis, capital do Antigo Império.


sábado, 9 de março de 2019


A construção da raça branca e a suposta incapacidade intelectual negra para a ciência, tecnologia e inovação.



MACHADO, Carlos Eduardo Dias. A CONSTRUÇÃO DA RAÇA BRANCA E A SUPOSTA INCAPACIDADE INTELECTUAL NEGRA PARA A CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), [S.l.], v. 10, p. 12-29, jan. 2018. ISSN 2177-2770. Disponível em: <http://www.abpnrevista.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/527>. Acesso em: 09 mar. 2019.



RESUMO – O presente ensaio trata da construção ideológica das raças e sua hierarquização pelos brancos europeus e a suposta incapacidade intelectual dos negros africanos e da diáspora. Buscamos analisar a perspectiva eurocêntrica universalista e as realizações africanas no campo da ciência, tecnologia e inovação que ficaram ocultas devido a construção do sistema de privilégio branco numa ordem mundial capitalista que tem como pilares a escravidão, colonialismo, imperialismo e racismo na construção das desigualdades.

PALAVRAS CHAVE: Raça, branquitude, negro, pensamento europeu, ciência, tecnologia.

INTRODUÇÃO

Branco é uma classificação racial, usado para pessoas de ascendência europeia. O uso contemporâneo do termo "povo branco" ou de "raça branca" como um grande grupo de populações (principalmente europeia), contrastando com o negro, índio (às vezes chamado de vermelho), amarelo, de cor ou não-branco, originou-se no século 17.

É hoje particularmente usado como um classificador racial em sociedades multiétnicas, como no Norte e Sul da África, Oceania, Oriente Médio, Estados Unidos, Reino Unido e Brasil[1]. Várias construções sociais da brancura têm sido significativas para a identidade nacional, política pública, religião, estatísticas populacionais, privilégio branco, segregação racial, eugenia, craniometria, frenologia e marginalização racial e ação afirmativa ao longo da história de meio milênio de dominação branca global.

O termo "raça branca" ou "povo branco" construído por europeus, entrou nas principais línguas europeias no final do século 17, no contexto da escravidão racializada e do status desigual das colônias europeias[2]. A descrição das populações como "brancas" em relação à sua cor da pele antecede esta noção e é encontrada na etnografia greco-romana e outras fontes antigas.

De acordo com a antropóloga Nina Jablonski:

No Egito antigo como um todo, as pessoas não eram designadas por termos de cor (...) Inscrições egípcias e literatura raramente mencionam a pele escura dos cuxitas da Alta Núbia. Sabemos que os egípcios não eram alheios à cor da pele, no entanto, porque os artistas prestaram atenção a ele em obras de arte, na medida em que os pigmentos permitidos no momento[3].

James Dee afirma que "os gregos não se descrevem como" pessoas brancas "- ou qualquer outra coisa, porque eles não tinham uma palavra regular em seu vocabulário de cor para si mesmos” [4]. A cor da pele das pessoas não trazia significado útil; O que importava era onde viviam[5].

Ocorrem atribuições de conotações positivas e negativas para brancos e negros no período clássico em várias línguas indo-europeias, mas essas diferenças nem sempre foram aplicadas à cor da pele. Conversão religiosa foi às vezes descrita figurativamente como uma mudança na cor da pele[6]. Da mesma forma, o Rigveda (antiga coleção indiana de hinos védicos em sânscrito e um dos quatro textos sagrados canônicos do hinduísmo), conhecidos como os Vedas usa o termo krsna tvac, pele negra, como metáfora da falta de religião[7].

A mais antiga imagem que descreve a coloração da pele humana é o texto funerário do Antigo Egito (Novo Reino) conhecido como o Livro dos Portões[8] distingue "quatro grupos" em uma procissão. São os egípcios, os cananeus ou asiáticos, os núbios e os líbios de pele clara. Os egípcios são descritos como castanho avermelhado claro, os núbios (Sudão atual) como pele preta, os semitas (Síria atual) e Canaã (Líbano moderno, Israel e Jordânia) como pele clara e os berberes da Antiga Líbia como igualmente brancos.

Heródoto descreveu os citas (antigo povo iraniano de pastores equestres) como tendo profundos olhos azuis e cabelos vermelhos brilhantes[9] e os egípcios - bem como os colchianos - como pele escura e cabelos cacheados[10]. Ele também dá a possivelmente primeira referência comum das populações que vivem ao sul do Egito, também conhecido como núbios, que foi aithíopes[11] (pele queimada). Mais tarde Xenofonte descreveu os etíopes como negros e as tropas persas como brancas em comparação com a pele bronzeada das tropas gregas[12]. Estes adjetivos de cores são tipicamente encontrados em contraste com o padrão definido pelo próprio grupo, e não como uma auto-descrição.
O termo "raça branca" ou "povo branco" entrou nas principais línguas europeias no final do século 17 no Oxford English Dictionary[13], originando-se da construção da racialização da escravidão na época, no contexto do tráfico transatlântico de seres humanos e da escravização de povos nativos do continente americano por portugueses e espanhóis católicos[14] que iniciou no século 15. Posteriormente foi atribuído a estirpes de sangue, ancestralidade e traços físicos e acabou sendo um tema de investigação científica, que culminou no racismo científico, que teve grande aceitação e que no século 20 foi repudiado por parte da comunidade científica. Segundo a historiadora Irene Silverblatt, "o pensamento racional (...) transformou as categorias sociais em verdades raciais[15]". “Bruce David Baum, citando o trabalho de Ruth Frankenberg, afirma, “a história da moderna dominação racista tem sido ligada à história de como os povos europeus definiram-se (e às vezes alguns outros povos) como membros de uma” raça branca superior’.” Alastair Bonnett argumenta que a "identidade branca", como é concebida atualmente, é um projeto estadunidense, refletindo as interpretações americanas de raça e história[16].

Segundo Gregory Jay, professor de Inglês na Universidade de Wisconsin-Milwaukee, antes da era da exploração, as diferenças de grupos eram largamente baseadas na linguagem, religião e geografia. O europeu sempre reagiu um pouco histericamente às diferenças de cor da pele e estrutura facial entre si e as populações encontradas na África, na Ásia e nas Américas (ver, por exemplo, a dramatização de Shakespeare do conflito racial em Othelo e A Tempestade). Começando no ano de 1500, os europeus começaram a desenvolver o que se tornou conhecido como "racismo científico", a tentativa de construir uma definição biológica e não cultural de raça. A branquitude, então, surgiu como o que hoje chamamos uma categoria "pan-étnica", como uma forma de unir uma variedade de populações étnicas europeias em uma única "raça.” [17]

Nos séculos 16 e 17, "os povos da Ásia Oriental eram quase uniformemente descritos como brancos, nunca como amarelos[18]". A pesquisa de Michael Keevak Becoming Yellow que os asiáticos foram redesignados como sendo de pele amarela porque "o amarelo se tornou uma designação racial", e que a substituição do branco para amarelo como descrição veio através do discurso científico[19].

Estudos ocidentais de raça nos séculos 18 e 19 desenvolveram o que mais tarde seria denominado racismo científico. Os proeminentes cientistas europeus que escreveram sobre a diferença humana e natural incluíam uma raça eurasiana branca ou ocidental entre um pequeno conjunto de raças humanas e uma superioridade física, intelectual ou estética imputada a essa categoria branca. Essas ideias foram desacreditadas pelos cientistas apenas na segunda metade do século XX após duas guerras mundiais[20].

Em 1758, Carl Nilsson Linnaeus no livro Systema Naturae propôs o que considerava ser categorias taxonômicas naturais da espécie humana. Distinguiu entre Homo sapiens e Homo sapiens europaeus[21] e adicionou mais quatro subdivisões geográficas dos seres humanos: europeus brancos, americanos, vermelhos, asiáticos, amarelos e pretos africanos. Embora Lineu os tenha proposto como classificações objetivas, suas descrições desses grupos incluíam padrões culturais e estereótipos depreciativos racistas e sexistas.

Em 1775, Johann Friedrich Blumenbach (De Generis Humani Varietate Nativa, 1775) descreveu a raça branca como "a cor branca ocupa o primeiro lugar, tal como é a maioria dos europeus. Ele classificou os humanos em cinco raças, que em grande parte corresponderam com as classificações de Linnaeus: caucasiano, mongol e etíope, aos quais foram acrescentados o americano e o malásio. Ele caracterizou o esquema de classificação racial de Metzger como fazendo "duas variedades principais como extremos: o homem branco nativo da Europa, das partes setentrionais da Ásia, da América e da África."; brancos, como os europeus restantes, os mingrélios e os cabardinos". Os europeus do sul, os turcos, os abissínios, os samoiedas e os lapões. Blumenbach é conhecido por argumentar que características físicas como cor da pele, perfil craniano, etc., foram correlacionadas com o caráter e a aptidão do grupo racial. Craniometria e frenologia tentaram fazer que a aparência física correspondesse com categorias raciais. A imparcialidade e as sobrancelhas relativamente altas dos caucasianos eram consideradas expressões físicas aptas de uma mentalidade mais elevada e de um espírito mais generoso. As dobras epicânticas ao redor dos olhos dos mongóis e sua camada epidérmica externa ligeiramente pálida revelavam sua natureza supostamente astuta e literal.

Em um trabalho de 1775, o filósofo alemão Immanuel Kant usou o termo weiß (branco) para se referir a "o branco [raça] do norte da Europa" assim como sua visão sobre os negros:

Os negros da África não possuem, por natureza, nenhum sentimento que se eleve acima do ridículo. O senhor Hume desafia qualquer um a citar um único exemplo em que um Negro tenha mostrado talentos, e afirma: dentre os milhões de pretos que foram deportados de seus países, não obstante muitos deles terem sido postos em liberdade, não se encontrou um único sequer que apresentasse algo grandioso na arte ou na ciência, ou em qualquer outra aptidão; já entre os brancos, constantemente arrojam-se aqueles que, saídos da plebe mais baixa, adquirem no mundo certo prestígio, por força de dons excelentes. Tão essencial é a diferença entre essas duas raças humanas, que parece ser tão grande em relação às capacidades mentais quanto à diferença de cores. A religião do fetiche, tão difundida entre eles, talvez seja uma espécie de idolatria, que se aprofunda tanto no ridículo quanto parece possível à natureza humana. A pluma de um pássaro, o chifre de uma vaca, uma concha, ou qualquer outra coisa ordinária, tão logo seja consagrada por algumas palavras, tornam-se objeto de adoração e invocação nos esconjuros. Os negros são muito vaidosos, mas à sua própria maneira, e tão matraqueadores, que se deve dispersá-los a pauladas[22].

O estudo sobre raça e etnia nos séculos 18 e 19 desenvolveu-se no que mais tarde seria denominado racismo científico. Em sua edição de 1795 De Generis Humani Varietate Nativa (Sobre a Variedade Natural da Humanidade), Johann Friedrich Blumenbach chamou de europeus, os asiáticos que vivem a oeste do Rio Obi, Rio Ganges, do Mar Cáspio e os povos do Norte da África de "caucasianos[23]". Durante o período entre meados do século XIX e meados do século XX, cientistas de raça, incluindo a maioria dos antropólogos físicos, classificaram as populações do mundo em três, quatro ou cinco raças, as quais, dependendo da autoridade consultada, Foram ainda divididas em várias sub-raças. Durante este período, a raça caucasiana, denominando pessoas do Cáucaso do Norte (montanhas do Cáucaso), mas estendendo-se a todos os europeus, figurou como uma dessas raças, e foi incorporada como uma categoria formal de pesquisa científica e, em países como os Estados Unidos, como classificação social.

Segundo Alberto da Costa e Silva, vários estereótipos discriminatórios e racistas sobre o homem negro africano possuem suas origens no tráfico humano interno praticado no continente africano pelos árabes, que já possuíam e manipulavam o argumento etnocêntrico da inferioridade da população negra; álibi muito utilizado a partir do século 10 no mundo islâmico para o desenvolvimento da prática da escravidão: “Foram reforçando-se, um a um, os estereótipos a partir dos quais se construiria toda uma ideologia racista: os pretos eram curtos de inteligência, indolentes, canibais, idólatras e supersticiosos por natureza, só podendo ascender à plena humanidade pelo aprendizado da escravidão”, argumenta o historiador [24].

Este foi o caminho científico que justificou ideologicamente a escravidão dos povos africanos, que se considera atualmente como um crime contra a humanidade pela ONU [25]. Criou o imaginário sobre a pessoa negra como feia, suja, suspeita, criminosa, hipersexualizada e dotada de pouca inteligência ainda presente no imaginário da população brasileira. Como vimos este pensamento tem raízes profundas. A justificativa ideológica construiu mitos, estigmas e estereótipos sobre a pessoa negra. As violentas tentativas de desumanização, zoomorfização, coisificação e animalização dos corpos de mulheres e homens negros na diáspora africana são resultados desta visão e prática que criou o dualismo selvagem versus civilizado. O europeu construiu uma visão limitada e estereotipada sobre o não-europeu, e de uma busca por solidificar fenômenos sociais dinâmicos, um projeto de dominação mundial que ainda hoje tratam da alteridade como apenas mais um objeto do olhar eurocentrado, a norma.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o racismo científico na teoria e na ação foi denunciado formalmente, especialmente na declaração antirracista da UNESCO The Race Question (1950):

Convém distinguir entre a “raça”, fato biológico, e o “mito da raça”. Na realidade, a “raça” é menos um fenômeno biológico do que um mito social. Esse mito tem feito um mal enorme no plano social e moral; ainda há pouco, custou inúmeras vidas e causou sofrimentos incalculáveis. Tem impedido o desenvolvimento normal de milhões de seres humanos e privado a civilização da colaboração efetiva de espíritos criadores. Ninguém deveria prevalecer-se de diferenças biológicas entre grupos étnicos para praticar o ostracismo ou tomar medidas coletivas[26].

O mito da "raça" e a suposta “inferioridade” da população negra africana criou imensos danos humanos e sociais. De acordo com o The Trans-Atlantic Slave Trade Database, o tráfico europeu cristão promoveu a retirada de 12,5 milhões de africanos para o continente americano em 36 mil viagens entre 1525 até 1866 [27]. O tráfico de seres humanos escravizados pelo Oceano Atlântico foi o maior deslocamento forçado de pessoas a longa distância ocorrido na história, sem pedidos de desculpas formais e reparações para os descendentes. Com o desenvolvimentos da genética evolutiva no século 20 demonstrou-se que as diferenças genéticas humanas são pequenas, pois somos 99,9% semelhantes geneticamente[28], portanto não há raças na humanidade.

Apesar deste avanço do conhecimento científico, o senso comum de forma camuflada mas eficaz, especificamente no caso brasileiro, afirmam que existem raças, mantendo a crença na hegemonia do privilégio branco. Declarações explícitas de racismo com a de Hegel, que afirmou não terem os povos africanos apresentado “nenhuma contribuição ao desenvolvimento humano[29]”, e que declara ser a Grécia o “berço da civilização”, executam de forma muito mais segura o serviço renascentista de entronizar o mundo greco-romano como matriz civilizacional da Europa pré-moderna, usurpando numa frase casual todas as contribuições dos povos não europeus para a constituição dessa herança, ao mesmo tempo em que consolida em forma de pensamento ‘histórico’, uma proposição pseudocientífica. A própria imagem metafórica que nos traz a ideia de “berço”, nos propõe reflexões inúmeras a respeito da origem da criança contida no berço, quem construiu o berço, quem foram mãe e pai da criança, entre outras. É Heródoto, o grego chamado de “pai da história” pelos eurocentristas, que nos oferece pistas sobre a origem e os pais da criança:

Estender-me-ei mais no que concerne ao Egito, por encerrar ele mais maravilha do que qualquer outro país; e não existe lugar onde se vejam tantas obras admiráveis, não havendo palavras que possam descrevê-las[30] (...) “Quase todos os nomes dos Deuses passaram do Egito para a Grécia[31] (...) Disseram-me ainda os sacerdotes que Sesóstris realizou a partilha das terras, concedendo a cada Egípcio uma porção igual, com a condição de lhe ser pago todos os anos certo tributo. Se o rio carregava alguma parte do lote de alguém, o prejudicado ia procurar o rei e expor-lhe o acontecido. O soberano enviava agrimensores ao local para determinar a redução sofrida pelo lote, passando o dono a pagar um tributo proporcional à porção restante. Eis, segundo me parece, a origem da geometria, que teria passado desse país para a Grécia (...) A medicina está de tal maneira organizada no Egito, que um médico não cuida senão de uma especialidade, há médicos por toda a parte, uns para a vista, outro para a cabeça, estes para os dentes, aqueles para os males do ventre, outros enfim, para as doenças internas[32].

A Europa é uma civilização tardia. Mesmo as cronologias mais otimistas localizam a chegada dos primeiros grupos humanos classificados como gregos, os micênicos, em cerca de 1400 a.C. quando o Egito, por exemplo, já contava mais de 2 mil anos de Império Unificado[33]. Também já eram seculares os Impérios da Mesopotâmia e do Vale do Indo. Nesse sentido, lembramos que a primeira perspectiva de pensamento humanista a se difundir profundamente na Europa, o cristianismo, é uma perspectiva asiática e recomendo a leitura das 42 Leis de Maat[34], suprassumo do código de ética kemético (Kemet (kṃt), ou terra negra de kem: negro) que, segundo historiadores, era observado desde o faraó até os camponeses. 



No entanto, a influência do Império Egípcio e das demais civilizações do Oriente Próximo, sequer é aventada pelos propagandistas da ideia de que a Grécia seria o “berço da civilização”. Do mesmo modo, o fato de grande parte dos pensadores gregos de relevância nas mais diversas áreas terem estudado no Egito em Per Ankh [35] (Casa da Vida) como Thales de Mileto, o fato de toda a mitologia grega ter sido copiada da egípcia, da matemática, química, arquitetura, medicina egípcia africana terem fornecido as bases para a constituição do pensamento grego, é omitido da história e dos discursos do pensamento europeu contemporâneo, inclusive por seus pensadores mais críticos e supostamente lúcidos, que reproduzem a ideia de que o “berço da civilização” teria gestado a sua “criança”, literalmente do “nada”, sem atentar que, parafraseando Heródoto, “A Grécia é uma dádiva do Egito”. 



Quando Heródoto entre outros pensadores gregos e romanos nos alertam para a negritude do império africano do Egito, chamado de Kemet – Terra Negra – por seu próprio povo[36] podemos começar a entender a escolha feita por renascentistas e iluministas de recorrer à Grécia como base civilizacional da Europa, o que explica o mal estar sentido pelo acadêmico e general francês Volney, que liderava as tropas de Napoleão na invasão do Egito:

Vendo esta cabeça negra em todas as suas características, lembrei-me dessa passagem notável do Heródoto, onde ele diz: Para mim, eu acho que os colchianos são uma colônia dos egípcios porque, como eles, têm a pele negra e cabelos frisados. Em outras palavras, os antigos egípcios eram verdadeiros negros do mesmo tipo que todos os africanos nativos. (…) Mas retornando ao Egito, o fato que ele dá à história oferece muitas reflexões à filosofia (…) Pensar que esta raça de negros, hoje nossos escravos e objeto de todos os desprezos, é mesmo aquela à qual devemos as nossas artes e as nossas ciências e até o uso da palavra (…) Imaginem , finalmente, que está no meio de pessoas que se dizem os maiores amigos da liberdade e da humanidade que se aprovou a escravidão mais bárbara e questionado se os homens negros têm o mesmo tipo de inteligência que os brancos![37]

Por todo o continente africano constituíram-se impérios grandiosos, como os de Kanen-Bornu, Gana, Mali, Songai, Gaza, Daomé, Ndongo, Monomotapa, Hova Merina, e o milenar Reino de Punt mantinha a sua predominância na África Oriental. Fiz uma contagem recente e contabilizei 188 reinos, impérios e cidades-estado do século 33 a.C. até os dias atuais[38]. Com a expansão islâmica, muitos dos reinos do noroeste da África se converteram à nova religião, dando início a um importante período de intercâmbio econômico e cultural. Estão na África as mais antigas universidades em funcionamento como a Universidade de Al- Karueein (859) em Fez no Marrocos e Al-Azhar (970) no Cairo, Egito, mais antigas que a Universidade de Bolonha (1088)[39].



É conveniente e estratégico que seja interditada a discussão da identidade branca e seus privilégios no desenvolvimento econômico, científico e objetivos políticos de controle total. Os meios de comunicação, a religião e a educação tem realizado um trabalho de apagamento do legado científico africano para a humanidade, pois na mente do inimigo, a sua sobrevivência depende da nossa morte mental e física.  A supremacia branca causa sentimentos de inferioridade e auto-aversão para quem não é branco, mas apesar de tudo, resistimos e propomos mudanças nesta ordem. Como diz a filósofa Sueli Carneiro:

Nós somos sobreviventes e somos testemunhas, porta-vozes dos que foram mortos e silenciados. Nós estamos aqui. A elite intelectual deste país, no começo do século 20, só tinha uma preocupação: quanto tempo levaria para esta mancha negra ser extinta. Uns diziam que até 2015 essa mancha negra seria extirpada. Nós somos sobreviventes. Vivemos e viveremos. Nós não só sobrevivemos como agora estamos em ação.[40]

O exercício de desmistificação é fundamental na superação da ideia de que os brancos são protagonistas exclusivos da ciência e tecnologia do mundo, de que o que é europeu é universal e o que é não-europeu é alteridade, de que a Europa é o espaço do pensamento por excelência e que o não-europeu é espaço do antropológico, de que o pensamento europeu surge, se desenvolve, se renova e se expande por geração espontânea, sem colaboração não-europeia e por fim, de que a Europa, tem novamente a missão prometéica de iluminar o mundo - fardo do homem branco - salvando-o da idade do mal-estar, em que ela mesma o colocou. Vamos neutralizar o impacto da supremacia branca em nossas vidas com a autodescolonização das nossas mentes.


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[1] CARLETON, Stevens Coon (1972). The races of Europe. p. 400-401. Esta terceira zona racial se estende da Espanha através do Estreito de Gibraltar até Marrocos, e daí, ao longo das margens do sul do Mediterrâneo, para a Arábia, África Oriental, Mesopotâmia e os planaltos persas; E em todo o Afeganistão para a Índia [...] A zona racial do Mediterrâneo se estende ininterruptamente da Espanha através do Estreito de Gibraltar até Marrocos, e daí para o leste até a Índia [...] Um ramo dele se estende para o sul nos dois lados do Mar Vermelho No sul da Arábia, nas terras altas etíopes e no Chifre da África.
[2] "Em ambos os lados da divisão cronológica entre o moderno e o pré-moderno (onde quer que ele esteja), há um consenso notável de que os primeiros vocabulários da diferença não mencionam raça". NIRENBERG, David (2009). "Was there race before modernity? The example of 'Jewish' blood in late medieval Spain" (PDF). In Eliav-Feldon, Miriam; Isaac, Benjamin H.; Ziegler, Joseph. The Origins of Racism in the West.  Cambridge, Reino Unido: Cambridge University Press. p . 232-264 . Consultado em 16 de abril de 2017.
[3] JABLONSKI, Nina G. Living color: The biological and social meaning of skin color. University of California Press, 2012.p. 106.
[4] DEE, James H. Black Odysseus, White Caesar: When Did" White People" Become" White"? The Classical Journal, v. 99, n. 2, p. 157-167, 2003.
[5] PAINTER, Nell Irvin. The history of  white people. WW Norton & Company, 2010. p.1
[6] DEE, James H. Black Odysseus, White Caesar: When Did" White People" Become" White"? The Classical Journal, v. 99, n. 2, p. 157-167, 2003.
[7] ERDOSY, George (Ed.). The Indo-Aryans of ancient South Asia: language, material culture and ethnicity. Walter de Gruyter, 1995. "enquanto seria fácil assumir a referência à cor da pele, isso iria contra o espírito dos hinos: para poetas védicos, preto sempre significa o mal e qualquer outro significado seria secundário nestes contextos."
[8] O livro das Portas é um texto funerário egípcio antigo que data do Império Novo (1550 a.C.-1070 a.C.). Narra a passagem de uma alma recém-falecida para o próximo mundo, correspondendo à jornada do sol através do submundo durante as horas da noite. A alma precisa passar por uma série de "portões" em diferentes estágios da jornada. Cada portão está associado a uma deusa diferente e exige que o falecido reconheça o caráter particular dessa deidade. O texto implica que algumas pessoas passarão ilesas, mas que outros sofrerão tormentos em um lago de fogo. As quatro raças do mundo eram: um líbio ("Themehu"), um núbio ("Nehesu"), um asiático ("Aamu") e um egípcio ("Reth"). Existe um registro artístico, baseada em um mural do túmulo de Seti I. Estes são retratados em procissão ao entrar no próximo mundo. O texto e as imagens associadas ao Livro de Portões aparecem em muitas tumbas do Novo Reino, incluindo todas as tumbas faraônicas entre Horemheb e Ramsés VII. Eles também aparecem no túmulo de Sennedjem, um trabalhador na vila de Deir el-Medina, a antiga vila de artistas e artesãos que construíram túmulos faraônicos no Novo Reino.  As deusas listadas no Livro das Portas têm títulos diferentes e usam roupas coloridas diferentes, mas são idênticas em todos os outros aspectos, usando uma estrela de cinco pontas acima de suas cabeças. A maioria das deusas são específicas do Livro dos Portões e não aparecem em outros lugares na mitologia egípcia , e, portanto, foi sugerido que o Livro dos Portões se originou apenas como um sistema para determinar o tempo da noite, com a deusa em cada portão sendo uma representação da estrela principal aparecendo durante a hora. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Book_of_Gates Acesso em 05/05/2017.
[9] Heródoto: Histórias, 4.108.
[11] Heródoto: Histórias, 2.104.2
[12] LESHER, James H. et al. Xenophanes of Colophon: fragments: a text and translation with a commentary. University of Toronto Press, 2001.
[13] https://en.oxforddictionaries.com/definition/white O termo branco tem sido usado para se referir à cor da pele de europeus ou pessoas de origem europeia desde o início do século XVII. Ao contrário de outros rótulos para a cor da pele, como vermelho ou amarelo, o branco não foi geralmente usado de forma depreciativa. Em contextos modernos, existe uma tendência crescente de preferir usar termos que se relacionem com a origem geográfica em vez de cor da pele: daí a preferência atual nos EUA para os afro-americanos em vez do preto e o europeu em vez do branco.
[14] DEE, James H. Black Odysseus, White Caesar: When Did" White People" Become" White"? The Classical Journal, v. 99, n. 2, p. 157-167, 2003.
[15] SILVERBLATT, Irene. Modern Inquisitions: Peru and the colonial origins of the civilized world. Duke University Press, 2004.p. 139.
[16] BONNETT, Alastair. White identities: Historical and international perspectives. Prentice Hall, 2000.
[18] KEEVAK, Michael (2011). Becoming Yellow: A Short History of Racial Thinking. Princeton University Press.
[19] Keevak, Michael (2011). Becoming Yellow: A Short History of Racial Thinking. Princeton University Press. p. 2.
[20] A Questão da Raça (The Race Question) é a primeira das quatro declarações feitas pela UNESCO sobre o que seria uma definição de raça em humanos. Este relatório foi emitido em 18 de julho de 1950 após a Segunda Guerra Mundial marcada pelo racismo nazista. A declaração foi uma tentativa de esclarecer o que é cientificamente conhecido sobre o conceito de raça e também uma condenação ao racismo. Estes documentos foram criticados diversas vezes e versões revisadas foram publicadas em 1951, 1967 e 1978.
[21] GOULD, Stephen Jay. A Falsa Medida do Homem. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 21.
[22] KANT, Immanuel. Observações Sobre o Sentimento do Belo e do Sublime. Campinas, Papirus, 1993, p. 75-76.
[23] BLUMENBACH, Johann Friedrich; BENDYSHE, Thomas. The Anthropological Treatises of Johann Friedrich Blumenbach. Anthropological Society, 1865.
[24] SILVA, Alberto da Costa e. A Manilha e o Libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002, p. 850.
[25] World Conference against Racism, Racial Discrimination, Xenophobia and Related Intolerance. p. 06 http://www.un.org./WCAR/durban.pdf
[26] A Declaração das Raças da UNESCO (18 de julho de 1950). Disponível em: http://www.achegas.net/numero/nove/decla_racas_09.htm Acesso em 06 de abril de 2017.
[27] Dos 12,5 milhões de pessoas que forçadamente vieram pelos navios negreiros, apenas 10,7 milhões chegaram vivas na América.  http://www.slavevoyages.org/assessment/
[28] O Projeto Genoma Humano iniciou em 1990, com iniciativa do National Departaments of Health, dos EUA. Além desta instituição, centenas de laboratórios ao redor do mundo uniram forças para ajudar a sequenciar o genoma humano. Porém, devido ao grande esforço científico internacional, em 14 de Abril de 2013 foi anunciado que o genoma humano (cerca de 3,3 bilhões de pares de nucleotídeos) havia sido 99% mapeado, com 99,9% de precisão. Se escrevêssemos todos os pares de base do genoma humano em letras do tamanho das desse texto, teríamos 1500 volumes de 700 páginas cada em tamanho A4. Todos estes pares de base, menos de 0,2% são diferentes entre um ser humano e outro – é esta pequena diferença que nos torna indivíduos. Mesmo entre pessoas de etnias diferentes, a diferença entre os genes continua a mesma, o que prova que o conceito de raça biológica nos seres humanos, explorado pelos brancos europeus é insustentável. Fonte:  A guide to your genome. Bethesda, MD: National Institute of Health, 2007. Disponível em: https://www.genome.gov/pages/education/allaboutthehumangenomeproject/guidetoyourgenome07_vs2.pdf Acesso em 01 02 2017.

[29] HEGEL, George Willhelm Friedrich. Filosofia da História.  Brasília: Editora da UNB, 1999, p. 88.
[30] HERÓDOTO, 2006, Livro II, Capítulo XXXV.
[31] Id, Livro II , Capítulo L.
[32] Ibidem, Livro II Capítulo CIX.
[33] BURNS, Edward MacNall. História da Civilização Ocidental. Editora Globo: Rio de Janeiro. 1978. p. 58
[34]  Deusa Maat https://en.wikipedia.org/wiki/Maat Acesso em 04 04 2017.
[35] Casa da Vida ou Casa de Vida (em egípcio: Per Ankh) era o nome dado à instituição existente no Antigo Egito (Kemet) dedicada ao ensino no seu nível mais avançado, funcionando igualmente como biblioteca, arquivo e oficina de cópia de manuscritos. As Casas de Vida eram acessíveis apenas aos escribas e aos sacerdotes. Não se conhecem muitos pormenores sobre esta instituição, mas sabe-se que está surgiu na época do Império Antigo. Teria como sede do palácio real, mas funcionaria numa parte do templo ou então no edifício situado dentro da área do templo. Provavelmente cada cidade de dimensão média teria a sua Casa de Vida, conhecendo-se a presença destas instituições em locais como Amarna, Edfu, Mênfis, Bubástis e Abidos. Em Amarna a Casa de Vida era constituída por duas salas principais e os seus anexos, como a casa do diretor da instituição. Entre os ensinamentos ministrados nas Casas de Vida encontravam-se os de medicina, astronomia, matemática, doutrina religiosa e línguas estrangeiras. O conhecimento destas últimas tornou-se importante durante o Império Novo devido ao cosmopolitismo da era, marcada pelo domínio do Egito sobre uma vasta área que ia da Núbia até ao rio Eufrates.
[36] DIOP, Cheik Anta, A Origem dos Antigos Egípcios; in: História Geral da África, África Antiga, vol.II, São Paulo/Paris: Ática/UNESCO, org.: G. Mokhtar, 1983. p. 56.
[37]MACHADO. Carlos. Gênios da Humanidade - Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente. São Paulo: DBA Editora, 2017. p.13.
[39] Top 10 oldest universities in the world: ancient colleges:  https://collegestats.org/2009/12/top-10-oldest-universities-in-the-world-ancient-colleges/  
[40] CARNEIRO, Sueli. Sobrevivente, testemunha, porta-voz: entrevista (maio, 2017). São Paulo: Espaço Revista Cult. Entrevista concedida a Bianca Santana.

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